Na maior planície alagável do planeta, cenário de uma incrível biodiversidade, o Pantanal sul-mato-grossense é a combinação harmoniosa entre água, fauna, flora e gente. No período de cheias, de outubro a maio, as águas inundam toda a planície transformando, rios, baías e lagoas num só - um verdadeiro mar, o “Mar de Xaraés”. A vegetação se revigora e, durante o dia e os mamíferos são obrigados a refugiarem-se nas partes mais altas, conhecidas como cordilheiras. As aves, que começam a construir seus ninhos, dando inicio a mais um ciclo de vida. Cavalos, barcos, carros de boi e tratores são os meio de transporte utilizados nesse período.
Passear pelo Pantanal é uma aventura, tocar uma comitiva ou simplesmente andar a cavalo ou de caminhonete 4x4 dentro d´água visitando regiões com muitas flores, vegetação exuberante e muita água. Relaxar ao pôr-do-sol, refletido nas águas das lagoas, saborear a deliciosa culinária pantaneira, com peixes, carne de gado ou carneiro e muitos doces locais.
De maio a setembro, o ciclo das cheias diminui e deixa aflorar toda vida e cor do Pantanal. Nesta época, os rios se retraem e as baías se cercam de praias de areias brancas e finas. É a hora e vez dos animais, saírem à procura de alimento nas convidativas lagoas e salinas. Durante este período, nestas lagoas encontramos uma grande concentração de animais (répteis, aves, mamíferos) se alimentando.
É um paraíso para observadores e fotógrafos de fauna e flora, onde vivem cerca de 230 espécies de peixes, 650 de aves, 80 de mamíferos e 50 de répteis. A maioria das fazendas localizadas no Pantanal não só oferecem boa infra-estrutura e atendimento ao turista como também apresentam conscientização ecológica e manutenção da cultura pantaneira. De barco, a cavalo e a pé pelas campinas pantaneiras, você vai apreciar o vôo das garças, tuiuiús e colhereiros, ver as cores das araras e dos tucanos, encantar-se com o andar dos cervos do pantanal, capivaras e ariranhas, escutar o sons dos bugios, admirar as sucuris e os jacarés e quem sabe ver uma onça-pintada em meios aos capões.
O Pantanal é hoje um dos destinos brasileiros mais procurados pelo turismo nacional e internacional. Nos municípios do Pantanal: Anastácio, Aquidauana, Corumbá, Ladário e Miranda, há uma grande infra-estrutura para atender as mais diversas exigências. Por ser uma área muito complexa, a viagem ao Pantanal deve ser muita bem planejada. Existem algumas maneiras de se conhecer o Pantanal, como:
1) Cruzar parte do Pantanal de barco: existem diversas operadoras que oferecem este serviço. Para quem gosta de pesca, existem excursões especializadas em pesca.
2) Hospedar-se em uma fazenda ou em uma das cidades e, a partir desta, fazer passeios de barco, jipe, cavalo e a pé. Algumas destas fazendas estão em regiões bem remotas do Pantanal, e o translado até as mesmas é feito de avião mono-motor ou de barco.
VARIAÇÕES CLIMÁTICAS E DIVERSIDADES DO PANTANAL DURANTE O ANO:
Janeiro e Fevereiro: Período das cheias onde os passeios de barco são o ponto forte para contemplar toda a flora pantaneira e admirar Belas paisagens.
Março e Abril: Período das cheias, rico em flora, principalmente plantas aquáticas, belas paisagens, concentração de mamíferos, início da chegada das aves, clima quente no fim do dia, dias longos, chuvas.
Maio, Junho e Julho: Período da vazante (transição da "cheia" para a "seca"). Época muito rica em aves, principalmente o Colheireiro. Répteis e pequenos jacarés. Noites mais frias e dias secos.
Agosto e Setembro: Período de nascimento dos filhotes nos ninhais, rios bem mais secos, cores lilás e rosa nos Ipês, período bom para pesca, sem chuvas, vegetação seca, muitos répteis, mudanças bruscas de temperatura.
Outubro, Novembro e Dezembro: Preparação da saída das aves do ninhal, concentração de pequenas aves, rios e vegetações secas, clima quente, flores nos aguapés e um belíssimo pôr do sol.
COMO SURGIU O PANTANAL
A legendária existência de um grande lago ou mar no centro da América do Sul foi aceita por vários séculos. No mapa feito por Hondius em 1559, o Pantanal é representado como um grande lago - Eupana Lacus - cercando um arquipélago. Na edição revisada do mapa de Hondius (1641) o lago ainda está representado, mas sem nome. Esse lago aparecia como nascente dos rios Paraguai, Amazonas e até do São Francisco (Hoechne, 1936). Essa denominação continuou sendo empregada mesmo após a descoberta de tratar-se não de um lago, mas, sim uma planície sujeita a enchentes sazonais. Somente a partir do século XX a região principiou a ser conhecida como Pantanal - termo também impróprio, já que este não é tampouco um pântano.
O nome “Mar dos Xaraés” foi mencionado pela primeira vez pelo conquistador espanhol Nuñes Cabeza de Vaca, fundador de Assunção no Paraguai, que em 1543 viajou rio acima até a Lagoa Gaiba. Lá ele deve ter ouvido falar desse "mar" pela tribo indígena dos Xaraés que habitavam a margem da enorme Lagoa Uberaba, mais ao norte. Cabeza de Vaca, que também criou a lenda das sete cidades douradas de Cibola no Texas, provavelmente não checava bem suas fontes. Em sua defesa pode-se admitir que um lago do tamanho da Uberaba, cuja superfície chega a atingir 400km2, podia ser facilmente confundido com um "mar interior".
Por dois séculos o Pantanal e áreas em torno continuaram sob o domínio de tribos como os Paiaguá, peritos canoeiros; Guaicuru, temidos cavaleiros que usavam cavalos roubados dos espanhóis; Guató, os primeiros a habitar as áreas alagadas, Bororo e outros. Esses povos indígenas continuaram sendo uma feroz ameaça aos colonos até o fim do século XIX, aliando-se a um dos dois lados dos brancos - bandeirantes ou espanhóis - até a Guerra do Paraguai (1864-1870).
A primeira presença branca na região foi em torno de 1593, com a fundação da missão espanhola de Santiago de Xerez, próxima ao Rio Mboetei - hoje chamado Miranda - no sul do Pantanal, e destruída por bandeirantes vindos da província de São Paulo, presentes no Mato Grosso desde 1622 (Holanda, 1986). No início do século XVIII, Pascoal Moreira Cabral descobriu ouro em Cuiabá. Em uma rápida sequência, a presente fronteira separando a América portuguesa da espanhola foi estabelecida e sustentada através de cidades-fortaleza. O garimpo aumentou a ocupação da região onde hoje se encontra a cidade de Poconé, fundada em 1781. Enquanto os aluviões iam se exaurindo, os colonizadores da região importaram diferentes raças de gado e principiaram a criação extensiva de gado, facilitada pelas pastagens naturais da região. Hoje, 99% do Pantanal divide-se em fazendas particulares, onde 8 milhões de cabeças chegaram a ser criadas simultaneamente, número limitado pela área de terra firme durante as cheias anuais.
PATRIMÔNIO NATURAL DA HUMANIDADE
O título de Patrimônio Mundial foi criado em 1972 pela Unesco, com o objetivo de assegurar a gerações futuras a herança do que chamam “tesouros do passado”, dentro das categorias: histórico, cultural ou natural. Atualmente, a lista inclui 690 sítios, distribuídos por 122 países.
No Brasil, são 14 os Patrimônios da Humanidade: as cidades de Ouro Preto e Diamantina (MG); o Santuário de Matosinhos (em Congonhas do Campo - MG); o Plano Piloto de Brasília; o Parque Nacional do Iguaçu (PR); a reserva da Mata Atlântica do Sudeste (SP e PR); a reserva da Mata Atlântica da Costa do Descobrimento (BA e ES); as ruínas jesuíticas das Missões (RS); os centros históricos de São Luís (MA) Olinda (PE) e Salvador (BA); o Parque Nacional da Serra da Capivara; parte do Pantanal (MT e MS); e o Parque Nacional do Jaú (AM).
O Pantanal Mato-grossense, maior planície alagada do planeta, foi considerado, no dia 29 de dezembro (2.000) Patrimônio Natural da Humanidade. Antes, havia sido considerada como Reserva da Biosfera Mundial, título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, a Unesco.
O PANTANEIRO
A Constituição Brasileira, considera o Pantanal um Patrimônio Nacional. Nada mais justo que reconhecer esse ecossistema como de importância mundial, levando-se em conta os esforços das autoridades e das organizações não-governamentais brasileiras no campo do meio ambiente e os excepcionais atributos naturais, culturais e humanos do ambiente pantaneiro.
A sinergia histórica estabelecida entre a gente pantaneira e o ambiente em que vive demonstra que não é um sonho melhorar a qualidade de vida respeitando a natureza. A cultura pantaneira é, sem dúvida, a grande responsável pela integridade do Pantanal.
O homem pantaneiro descende dos bandeirantes e dos garimpeiros que, no século 18, cortavam os rios em frágeis canoas, desde as vizinhanças de São Paulo, em direção às minas de ouro da região de Cuiabá. As canoas partiam na época das cheias, no início do ano, para aproveitar o volume de água dos rios. No segundo semestre, durante o período seco, a maioria dos rios desaparecia - como ocorre até hoje. Esgotadas as minas de ouro, alguns garimpeiros partiram para outros lugares, mas muitos, desiludidos, resolveram ficar e praticar a única atividade possível na região: criar gado. Os rebanhos viviam de acordo com o movimento das águas. Na época da enchente, eram levados para as áreas mais altas. Quando as águas baixavam, vinham comer o pasto dos campos baixos. Os índios praticamente desapareceram, mas até hoje a criação de gado no Pantanal exige grandes áreas para o manejo das boiadas. Se no resto do país um hectare é suficiente para criar um boi, no Pantanal é necessário pelo menos o dobro do espaço.
O homem pantaneiro recebeu muita influência dos indígenas e mantém seu jeito de viver praticamente inalterado nos últimos 200 anos. No século XVIII vieram os bandeirantes de São Paulo à procura do ouro. Depois da Guerra do Paraguai surgiram as grandes fazendas de gado. Com a chegada da estrada de ferro noroeste do Brasil em 1914 novos hábitos e costumes foram incorporados. A distância e o difícil acesso as fazendas fizeram o homem pantaneiro se acostumar ao isolamento e a solidão, porém manifestam o sentimento de cooperação no trabalho do gado ou nas festividades típicas entre as fazendas. Vivendo a realidade numa região isolada, com enchentes, ataque de animais silvestres, e problemas de transporte, o homem pantaneiro, pecuarista, vaqueiro ou pescador, mantém amor, respeito e apego à sua terra.
Área de especial interesse turístico* Até abertura da BR-262 nos anos 80 essa estrada era o único acesso por terra à fronteira com a Bolívia e a essa região, que os indígenas denominaram “Xaraés”. Seu traçado seguiu a linha imaginária definida pelo Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, para implantação da sua linha telegráfica. A velha estrada boiadeira corta os pantanais do Abobral e da Nhecolândia. A Estrada Parque Pantanal possui uma extensão de 116 quilômetros aproximadamente, foi construída sobre aterros que variam de 1 a 3 metros, numa tentativa de garantir o tráfego em qualquer época do ano, porém esse objetivo não foi completamente alcançado, pois nas cheias mais intensas a estrada é invadida pela égua em vários pontos. É através dela que se realiza o escoamento da produção pecuária de várias fazendas do Pantanal. Durante o percurso, em dias de leilão de gado, chega-se a contar até 200 caminhões boiadeiros. Pode-se também ter a possibilidade de atravessar uma comitiva, observando a habilidade dos vaqueiros pantaneiros na condução do gado, essas viagens podem durar algumas horas ou até mesmo dias. Uma de suas maiores atrações é a facilidade de se observar vários elementos da fauna terrestre pantaneira, em seu habitat original. Como a Estrada Parque atravessa diferentes pantanais, com características variadas, a fauna ao longo do trajeto também é bastante e rica. O primeiro trecho, entre o Lampião Aceso e o inicio da subida da serra, é margeado pôr pastos e várias construções. Neste percurso, a observação de fauna é mais difícil, pois a presença humana é intensa e tende a afugentar os animais. Logo após este trecho, já na subida da serra, a vegetação de entorno se transforma em um complexo de matas semidecíduas, onde a observação de primatas como o Bugio (Alouata fusca clametams) e o macaco prego se tornam mais fácil. Procurando, pode-se encontrar grandes bandos de macacos, forrageando ou se movimentando pelas copas das árvores. Aves também são constantes nesta faixa, e encontrar tucanos, papagaios, maritacas, gralhas, araçaris só depende de calma e atenção. Logo que a Estrada Parque Pantanal inicia seu percurso em solo pantaneiro, após a descida da serra, as chances de observação de aves aumentam consideravelmente. Tuiuiús, garças, socós, cabeças secas e biguás começam a aparecer e compor um mosaico de seres alados com os canários, cardeais, bem-te-vis, João de barros, cardeais, e inúmeras outras espécies. Animais selvagens são abundantes no Pantanal, e ao longo da Estrada observam-se várias espécies.No trecho de morraria, a observação de macacos, roedores silvestres (cutias e pacas) e porcos do mato (queixadas e caititus) é possível, todavia difícil. O trecho compreendido entre o trevo de Albuquerque e o Porto da Manga oferece boas condições de observações de capivaras, jacarés e até animais mais raros como as iraras, as lontras e até tamanduás e onças pardas. Na ponte do córrego Sará é possível, com alguma sorte, contemplar as lontras nadando e se alimentando à vontade. Lontras são animais raros de se observar. Mutuns, arancuãs e jacutingas, aves raras da fauna brasileira, também podem ser visualizadas com certa facilidade neste trecho. Após a travessia da balsa, no Porto da Manga, rumo a Curva do Leque, a Estrada Parque Pantanal atravessa uma região extremamente rica em capivaras e jacarés. É comum observar estes animais no meio da pista, bem como uma enorme quantidade deles ao lado e ao longo da estrada. Dirigir com cuidado e devagar neste trecho é a regra. Cervos do Pantanal também são muito comuns nesta área, e o observador mais atento vai encontrar vários indivíduos no trecho balsa-Curva do Leque. Os Cervos são os maiores veados existentes no Brasil, e o Pantanal abriga a maior população selvagem destes belíssimos animais. Calmos e curiosos, os cervos deixarão se fotografar de perto, se o observador agir com o devido respeito e tranqüilidade.
Ainda no trecho balsa-Curva do Leque, é possível encontrar algum grupo de ariranhas, pois na região oferece condições ideais para esta espécie. Ariranhas são animais que vivem sempre próximos a corpos d’águas, e quando em atividade, perfazem um espetáculo único e belo para se contemplar. Emas são habitantes desta área e na época da seca é possível observar grupos próximos à Estrada Parque Pantanal, às vezes até caminhando na pista. O trecho que vai da Curva do Leque ao Buraco das Piranhas atravessa uma área de alta inundação sob influência dos rios Negros, Abobral e Miranda. Aqui, a presença de aves semi-aquáticas, como o tuiuiú, as garças e vários outros é muito comum. Araras, tucanos, papagaios, maritacas e periquitos são muito abundantes. Capivaras, jacarés e até lontras e iraras são comumente observados neste trecho. Observe as árvores atentamente, aí se movimenta inúmeras espécies de rara beleza como os tucanos, que proliferam nesta região, as araras, coloridas e gritantes, gaviões de diferentes espécies, e toda sorte de aves semi-aquáticas como as garças, tuiuiús, bugias, biguatingas, manguris, cabeças secas e o carão com seu canto triste. Este é o cenário que se tem ao longo dessa estrada que é uma Área de Especial Interesse Turístico, criada pelo Governo do Estado do Mato Grosso do Sul por meio do Decreto N° 7.122/93 de 17.03.1993.
Compreende trechos da MS-184 e da MS-228, nos municípios de Miranda, Corumbá e Ladário, e tem área de cerca de 6.800 ha., dos quais 85% no município de Corumbá. Apesar de não pertencer a uma categoria de Unidade de Conservação prevista na Lei 9.985/00 (SNUC), a Estrada-Parque Pantanal foi criada no intuito de conservar a biodiversidade e promover o ecoturismo no Estado.