Amanhecer

por Misha Gibson

171 Todo Dia

Terça, 31 De Julho De 2018 ás 06:00

Amanhecer

Amanhecer

Hoje é sexta-feira 13, para muitos um dia de azar. Para mim, um dia mais do que especial. Amo sextas-feiras 13, não é porque sou do contra, mas porque eu adoro coincidências (deuscidências!). Hoje eu sentei aqui e pensei: quero ler um texto sobre essa vontade louca de minhas férias que estão para começar, sobre esse dia que está nascido e se desenrolando, esse cheiro de fim-de-semana chegando. E aí eu resolvi escrever o que eu queria ler.

Tenho um dia inteiro ainda pela frente. Ainda tenho uma porção de coisas a fazer: trabalho, lavar roupa, cuidar das coisas do pequeno, fechar malas, terminar este texto. Mas, eu já estou tão animada, já estou tão desejosa dessas férias... Todos os problemas podem ficar aqui dormindo, eu lido com eles quando eu voltar. Tento não ficar apreensiva deixando esses assuntos para depois. O que não tem remédio, remediado está.

Eu quero que o dia de hoje passe depressa, quero que ele seja doce, quero que ele tenha cheiro de volta logo. Queria que as pessoas olhassem para mim e dissessem que seus dias vão ser mais morosos sem minha presença. Queria me sentir importante.

E eu queria que o dia de hoje fosse o prenúncio de dias felizes por vir. Queria que tudo desse absolutamente certo hoje.

Queria, pelo menos, a certeza da esperança. Essa força vigorosa e tão imponente e importante em nossas vidas. Uma vida sem esperança é uma vida vazia. Isso não tem nada a ver com religião. Embora há que se ter fé de que a esperança prevalecerá.

Este texto só vai ser publicado no meu pós-férias. E eu espero que ao voltar, minhas energias (e minha fé) estejam renovadas. É preciso parar e olhar a distância para se ver o todo. Lembrei de um recesso longínquo. Eu estava lá no MASP com aquele um que tanto impactou minha vida, defronte a um quadro de estilo pontilhista. Eu estava quase com o nariz na tela, sem entender o borrão a minha frente, e ele me puxava pela mão e dizia: não, vem mais para trás, olhe à distância. E tudo fez sentido.  'Não é extraordinário?' Foi tão extraordinário que a recordação me vem sem fazer esforço.

As vezes a gente precisa se sentir pequeno, quase um grão de areia, para ter a esperança restabelecida. É só sendo um pontinho na infinidade de pontinhos - e se ver o pontinho - que se percebe que nada é maior, nem mais pesado, do que a própria finitude. E isso não é triste, apenas é. Existe beleza nisso e desta mesma beleza nasce a fé tão necessária para continuar.

Ultimamente eu tenho pensado muito nas pessoas que se deixam abater pela depressão. Tantos nomes tão conhecidos, e também de gente totalmente anônima. Fico triste ao pensar em pessoas que eu realmente admirava e que me davam esperança de alguma forma e que deviam ter vidas totalmente angustiadas. Penso nelas e desacredito ainda mais no propósito de acabar com tudo antes do fim. E, com este pensamento eu deixo aqui a minha pontinha de esperança para quem me lê: o jogo só acaba no fim; ainda existe esperança para a esperança, ainda existe amanhã. E se você não encontrou o texto que você quer ler, então escreva-o você.




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