Meu umbigo

por Misha Gibson, que tem um barrigão

171 Todo Dia

Terça, 26 De Junho De 2018 ás 06:00

Meu umbigo

Meu umbigo

Continuo olhando para o meu umbigo no texto de hoje. Se o texto da outra semana foi sobre o monstro oculto que paira sob (ou dentro) da minha cabeça, obscuro e sombrio, hoje eu quero falar com olhos de quem olha de fora, mas ainda assim sobre mim.

Hoje é dia de ressaca moral. O jogo do Brasil na Copa 2018 contra a Costa Rica foi ontem. O jogo foi tenso, duro, com dois gols do Brasil só na prorrogação. Eu, como uma pessoa que duvida de quase tudo, fico me perguntando se tudo não passou de encenação: da corretude do juiz até o choro do jogador brasileiro no fim da partida. Não tenho nenhuma prova, não poderia falar sobre minha desconfiança aqui, mas olhando para alguns momentos do jogo e pós-jogo, algumas coisas me parecem encenação, só para causar, só para encobrir algum fato que não temos conhecimento. Mas, é só a minha impressão, não o que eu sei, ou o que eu vi.

O que eu sei de verdade é que eu estava com saudade de alguém antes do jogo. Alguém que no meu coração é muito querido, muito amado. A saudade era tanta que eu até consegui verbalizar. Até chamei para ver o jogo onde eu estava. Infelizmente para mim, meu desejo não foi atendido. Fiquei com a minha saudade. Hoje descobri que essa mesma pessoa tirou fotos de ontem a noite numa mesa rodeada de conhecidos, e para aumentar meu ciúme, de mulheres. Claro, que o monstro que habita nas entranhas do meu ego já cochichou o seu veneno: Ele não gosta de você, ele prefere a companhia de outras pessoas, ele nunca vai pensar em você como uma pessoa próxima, você parece muito esnobe, você não faz parte do mundo dele.

O que o monstro não esperava, porém, é que eu usasse as suas afirmações para me perguntar onde fica a saída dessa encruzilhada que me meti. Eu sei racionalizar os meus desmedidos sentimentos e até consigo personalizar meu monstro. Entendo que apesar de gostar de alguém isso não me faz ser alguém para ela. Entendo que isso não me faz menos, nem inútil, nem imprestável. Me faz entender que o ciúme que sinto é muito mais a vontade de ser importante, querida, amada, parte de um mundo que quero ver. É minha vaidade, é a minha auto-estima mostrando que ainda tem alguma força.

No entanto, eu ainda sigo sem resposta. Será que minhas dúvidas e minhas crenças me dão um quê de indisponibilidade? Será que a ansiedade me faz uma desesperada? Será que minha vaidade me faz uma carente? Ou será que meu jeito slow profile me dá uma aparência de esnobe? Quantas vezes já ouvi que me compram por caviar, quando eu sou do chuchu com camarão? O que será que faz uma pessoa se interessar pelo meu jardim, o que será que posso plantar para trazer mais visitantes para ele? Ou será que eu já fiz a minha parte e só não encontrei os vistantes corretos?

Eu não gosto de pensar que não exista nada que eu possa fazer. Não gosto de sentar e esperar acontecer. Mas, reciprocidade é uma conquista que não se ganha sozinho. E eu só posso lamentar por não ter o apreço de quem quero bem. Mesmo assim, isso não é motivo para ser menos feliz do que sou. Meu umbigo é lindo na minha barriga grande. 


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